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Crítica: O Velho e o Mar de Ernest Hemingway

Posted: 06 Aug 2016 07:03 AM PDT

Páginas: 124

Autor(a): Ernest Hemingway

Editora: Bertrand Brasil

Ano de Publicação: 1952


Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 5 estrelas + favorito.




A história tem como personagem principal um velho pescador chamado Santiago. Apesar de muito experiente, Santiago encontra-se numa maré de azar, tendo ficado quase três meses - 84 dias - sem conseguir pescar um peixe. Quando finalmente consegue pescar algo, ovelho pescador tem que lutar com um gigante espadarte em alto mar por entre a Corrente do Golfo. Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de qualificá-lo para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954.

Há um bom tempo atrás me deu uma vontade louca de ler "O velho e o mar". O motivo? Nem eu sei. Depois de ficar namorando essa obra magnífica, finalmente comprei e li; na verdade eu DEVOREI. O livro tem apenas 124 páginas, terminei em duas horas, no máximo. Ao mesmo tempo em que terminá-lo rápido foi bom, foi ruim também. Bom porque eu desfrutei de uma história sensacional que vai ficar marcada em minha vida para sempre; ruim porque eu queria mais, muito mais. Sim, foi um dos melhores livros que eu li na vida, e olha que minha lista não é grande. Como eu gostei tanto de um livro pequenino a ponto de vira-lo favorito e mexer com meus pensamentos? Confiram a crítica! Lembrando que a qualidade não está no tanto de páginas, e sim nas palavras do autor e na mensagem que o mesmo deseja passar.

"Tudo o que existia nele era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis".

Infelizmente a mensagem que Ernest passou é implícita. Sim, implícita; lendo algumas críticas cheguei a uma conclusão em que não existe meio termo para esta obra. Ou você ama, ou odeia. Não é uma narrativa de ação ou aventura, aonde o velho vai se aventurar em alto mar, com peripécias e tudo mais. É muito mais do que isso, é algo profundo, delicado. Aborda assuntos muito mais interessantes, como: a convivência do homem com os animais e a natureza, a luta pela honra e sobrevivência. Solidão, humildade e solidariedade.

Hemingway nos apresenta apenas dois personagens: o protagonista – velho Santiago – e o seu jovem amigo, Manolin; que é aquele personagem secundário muito especial, apesar de pouco caracterizado e aproveitado. Santiago é a representação do homem que não existe mais; não estou falando do homem sentido sexo masculino, e sim do homem HUMANO. Ele é um velho simples e muito sábio, que sabe o seu lugar na natureza, entende muito bem que a sua existência é muito insignificante comparado ao resto dela. Depois de ficar 84 dias sem pescar um peixinho sequer, Santiago resolve provar a sua honra de pescador e sai em alto mar para pescar algo. Eis que ele se depara com um peixe enorme, maior do que seu próprio barco. Ele fica feliz com a conquista, mas ao mesmo tempo apreensivo. Será que é merecedor de um peixe assim?

"Mas é bom que não tenhamos que tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Já é ruim o bastante viver no mar e ter que matar os nossos verdadeiros irmãos."

A mensagem de Ernest aparece neste momento, mostrando a relação entre o homem e animal. Santiago não pescou o peixe por maldade, tanto que nem se acha merecedor disso, pescou por ambição, para provar uma coisa: os animais são muito mais inteligentes do que nós, meros humanos. Nessa luta, o Velho usa o que tem de melhor: justiça e respeito. A única arma que tem são as iscas, nada mais. E o respeito é: ele não mata o peixe, e sim espera o mesmo se entregar como derrotado.

Conforme fui lendo, percebi que Santiago tem uma visão muito ampla em relação ao que faz. Ele sabe que, dependendo da forma que pescarmos, será um ato "bom"; desde que você mostre para aquele ser toda a sua honra e bravura, e faça-o entender que é muito mais superior a nós, do que nós a ele; com destaque para a importância não só da experiência, mas também da sorte e da perseverança. Hoje em dia a pesca, caça ou o gado é tratado de forma muito bruta. Eu sei que na hora de comer não pensamos no peixe sendo morto, ou o boi ficando forte para dar aquela carne boa. Mas, uma coisa que devemos lembrar sempre: somos meros NADAS perto dos animais e da natureza.

"Quantas pessoas ele irá alimentar? Mas serão merecedores de um peixe assim? Não, claro que não. Ninguém merece comê-lo, tão grande a sua dignidade e tão belo o seu modo de agir."

Santiago foi muito bem construído e caracterizado com fragmentos que falta em nós. Suas qualidades são tão raras, que tudo isso me deixou perplexa. Agora vocês conseguem compreender porque eu gostei tanto do enredo? Foi o único livro que eu li que trata o ANIMAL como SUPERIOR e o homem como INFERIOR.

A escrita de Hemingway é bem leve, fluida e muito filosófica. Os diálogos são intensos e apreensivos. Sua estratégia de mistério foi a espera de saber quem ia ganhar a luta: animal ou homem. O clímax e conflito foram bem descritos, o desfecho foi MUITO agradável. Afinal, Santiago conseguiu pescar ou não? Leiam para descobrir e deleitem-se nessa maravilha.
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