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Crítica: O Planeta dos Macacos de Pierre Boulle

Posted: 17 Jun 2016 09:39 AM PDT

Páginas: 216

Autor(a): Pierre Boulle

Editora: Aleph

Ano de Publicação: 2015


Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 5 estrelas




Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie? Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop.

O Planeta dos Macacos é uma obra que já foi demasiadamente adaptada para o cinema. Ao total foram 8 – isso mesmo – filmes que ganharam inspiração através da obra de Pierre Boulle. Mas, não pense você que todos eles – ou algum, é/são fiéis ao livro escrito em 1963. Todos os filmes foram INSPIRADOS em sua forma mais superficial na obra deste autor. Nenhum chegou perto da genialidade da obra escrita e, com certeza, este é o principal motivo para que você leia logo o livro.


Pode-se dizer que Planeta dos Macacos é uma história, dentro de outra história. Confuso? Calma, juro que não é! Isso se dá pela forma como o autor nos introduz a trama. Sabe quando um personagem X, encontra um manuscrito Y e começa a lê-lo para nós? É bem isso o que acontece aqui, mas a coisa vai um pouco além. Terá que ler para descobrir o que encontrará no final do arco-íris.


"Era isto! Aqueles demônios queriam estudar em nós, em mim."

A temática do livro já nos remete logo de cara a questão antropológica trabalhada pelo autor em toda a obra. É curioso e fascinante a habilidade de Boulle ao desenvolver todas essas camadas científicas. O livro, apesar de detalhista, não beira a monotonia em momento algum. As informações são absorvidas pelo leitor de maneira natural, e a habilidade do autor fica a mostra em momentos em que complemento e história são desenvolvidos de tal modo, que largar o livro antes de terminá-lo se torna quase impossível.

As discussões abertas ao longo do livro são dotadas de elementos, não só científicos, mas religiosos. Alusões são feitas em decorrência dos assuntos espinhosos, tão bem relacionados pelo autor com nossos costumes e adversidades. O ritmo é constante. Constantemente delicioso! Boulle trabalha polêmicas e suas causas como Stephenie Meyer descreveria o físico de um personagem – eu juro que é um elogio.

"Houve realmente, no início, algumas dificuldades de interpretação, as palavras "macaco" e "homem" não evocando para nós as mesmas criaturas; mas esse inconveniente logo foi solucionado. Sempre que ele pronunciava "macaco", eu traduzia como "ser superior".


Sempre detalho um pouco a edição do livro em minhas críticas, para que vocês possam enxergar a obra em todos os seus aspectos – justamente como a avalio. E, tenho a honra de dizer, que a edição da editora Aleph é uma das melhores que já vi para qualquer obra. Não apenas em seu contexto visual. A editora ousou e, além de incluir prefácio e posfácio interessantíssimos, ainda complementou com folhas de guarda lindas e uma diagramação harmoniosa e condizente com a história. Aqui, a edição não é um detalhe da obra. Ela é algo essencial!

Teci tantos elogios ao livro, que provavelmente vocês estão pensando que a cota já esgotou, certo? Mas calma… Ainda não falei do ponto que mais chamou a atenção: a empatia. Como proposto, Boulle consegue inverter os papéis. Os macacos, já fazendo papel de líder, não são de tal forma apenas nas 216 páginas que permeiam a obra. A situação se inverti! Humanos, para nós, não tem alguma importância aqui. Todo nossa atenção é redirecionado para eles. Assim como a preocupação e outras emoções quaisquer. Achei isto fascinante! O autor não prende suas ideias ao papel, apenas. Ele as expande. As expande em nossas mentes.

"Perdi a cabeça e me entreguei mais uma vez ao desespero. Na verdade, estava literalmente louco de raiva. Berrei, ululei à maneira dos homens de Soror. Manifestei minha fúria como eles, lançando-me contras as barras, mordendo-as, babando, rangendo os dentes, comportando-me, em suma, da maneira mais bestial."

Depois de um enredo bem construído. Personagens devidamente bem desenvolvidos. Um mundo novo explorado de maneira magistral, o autor tinha mais uma carta na manga. E sinceramente… Por essa eu não esperava. MESMO!

O final deste livro vai te deixar em choque. Eu lhe garanto; É impressionante a maneira como tudo se encerra e, por mais que o desfecho possa ser classificado como um 'cliffhanger', não é de fato necessário algo a mais depois daquilo. Pierre Boulle manda a mensagem. Você a pega. Você se choca. Você reflete. Depois de gargalhadas de surpresa, a catarse finalmente chega e o pensamento que invadi o cérebro é: QUE LIVRO MARAVILHOSO.


Leiam ;)
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