Atmosfera dos livros

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Opinião l "Requiem" do escritor Antonio Tabucchi

Posted: 27 Jun 2016 01:49 AM PDT

Requiem - Uma Alucinação
escritor Antonio Tabucchi 
N.º páginas:128 páginas
5.º Edição
Quetzal Editores 
Lisboa/1997
ISBN: 978-972-203-290-2

Tenho que dizer o meu muito obrigada a uma grande amiga, uma irmã de coração que me ofereceu parte da sua biblioteca pessoal. 
Sabes que és muito especial para mim e que estarei sempre presente. Só para conhecer uma pessoa como tu já valeu ter ficado a lecionar na Parede-Cascais.
Obrigada mana.

Sinopse:
«Num domingo de Verão, um homem está a ler O livro do Desassossego debaixo de uma amoreira numa quinta de Azeitão e, de repente - por um sortilégio, por uma alucinação - encontra-se em Lisboa. Está um dia tórrido, a cidade está quase deserta. O homem começa a percorrer a cidade à procura de pessoas e coisas que desapareceram da sua vida (um amigo, uma mulher, o pai, um poeta, uma casa, uma pintura), dos quais quer despedir-se pela última vez.
Este livro, que fala da morte quase com alegria, é um bizarro requiem e simultaneamente uma errância, um sonho, uma extravagância, uma espécie de Alice no País das Maravilhas no qual o Wonderland é Lisboa. Mas é também uma homenagem a Portugal, um extraordinário percurso lisboeta, um ato de afecto de um célebre escritor estrangeiro que quis escrever este livro em português»retirado do site wook

O escritor Antonio Tabucchi:

"Escritor italiano nascido em 1943, em Pisa. Tendo sido professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Génova, foi director do Istituto Italiano di Cultura em Lisboa. Dedicado ao estudo da figura de Fernando Pessoa, produziu ensaios sobre este autor e traduziu obras suas. Paralelamente à sua actividade de pesquisa e crítica literária, tem criado uma notável obra como ficcionista, de onde se destacam Donna di Porto Pim (A Mulher de Porto Pim, 1983), Notturno Indiano (Nocturno Indiano, 1984), Piccoli Equivoci Senza Importanza (Pequenos Equívocos sem Importância, 1985) e Sostiene Pereira (Afirma Pereira, 1994). Esta última deu origem ao filme com o mesmo nome, realizado por Roberto Faenza e filmado em Portugal. Faleceu em Lisboa, a 25 de março de 2012. Em 2001, um artigo que escreveu para o jornal fancês Le Monde e que foi traduzido pelo jornal espanhol El País (acerca da liberdade de expressão), fez com que António Tabucchi fosse galardoado com o Prémio de Liberdade de Expressão Josep Maria Llado, na Catalunha, em Espanha."retirado do site wook

Minha opinião:

Começo por confessar que desconhecia este escritor, não conhecia nenhum livro da sua obra, antes de me ter sido oferecido o livro.
Quando o decidi ler fiz uma breve pesquisa sobre os títulos por ele publicados e houve um que me saltou logo à vista que foi "Afirma Pereira", que foi adaptado ao cinema e eu fui ver, sem contudo saber que era baseado no livro de Tabucchi.

Requiem: uma alucinação foi, contudo, o único livro que Tabucchi escreveu em português. A obra é uma homenagem a Portugal e ao escritor Fernando Pessoa e ao seu ao Livro do Desassossego.

Ao longo da leitura deste livro deparei-me com uma ampla descrição da gastronomia portuguesa, inclusive com receitas tradicionais como o sarrabulho, para além de alguns dos lugares mais afamados de Lisboa.

A narrativa desenrola-se num curto período de tempo, ao longo de um dia, de 12 horas, começa com um italiano que falava vários idiomas,  que marca um encontro com um grande poeta (sabemos que é Fernando Pessoa) chamado o "Convidado", tal encontro só vai acontecer no final do livro. 
O cenário é a Lisboa em pleno verão escaldante. Durante a narrativa, o italiano vai encontrando diversos personagens como se pairasse num sonho, numa alucinação, vai reencontrando pessoas já falecidas e acertando contas do passado. Encontra com o Rapaz Drogado, Tadeus, um velho amigo falecido, o Chauffeur de Táxi, Casimiro e a esposa, donos de um restaurante, o seu Pai Jovem (que conta a história real aparece para saber como morreu ), o Maître da Casa do Alentejo, o Pintor Copiador, o Revisor do Comboio, entre outros. Todos envoltos numa atmosfera quase que fantasmagórica, misturando sonho com realidade.

O diálogo com o seu amigo de longa data Tadeus, já falecido, assim como o almoço de sarrabulho que eles partilham, foi uma das partes do livro que eu achei mais intimista. Também gostei muito do jantar com o poeta Fernando Pessoa, O Convidado, o modo como o italiano analisa a personagem e todo o seu egocentrismo é fantástica.

Gostei muito desta nova descoberta literária.
Recomendo vivamente a leitura deste livro, a riqueza de todas as personagens é uma das características que mais admirei na escrita de Tabucchi.

Classificação de 4**** no Goodreads.

Excelentes leituras;)
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